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Estudantes de Igaporã criam ração para o gado à base de moringa.


Por: Ascom/Secti

A estiagem que afeta o semiárido na maior parte do ano é um dos principais desafios para os criadores de gado dessa região, principalmente para pequenos produtores que enfrentam dificuldades com recursos financeiros para alimentar os seus rebanhos. Neste período em que a vegetação perde folhas e o capim seca, produtores precisam recorrer a rações externas ou até mesmo reduzir o tamanho dos rebanhos.



Esse problema estimulou os estudantes Lívia Lopes e Pedro Henrique, do Colégio Estadual de Tempo Integral de Igaporã, a buscarem uma solução alternativa para a alimentação bovina. Os jovens cientistas, orientados pelos professores Poliana Cardoso e Robson Costa, desenvolveram um suplemento alimentar à base de moringa (moringa oleifera).

“A ideia surgiu a partir da dificuldade de nutrição animal no semiárido baiano por parte de pequenos produtores que não têm fundos para aquisição de insumos industrializados. A moringa desponta como uma solução, pois é uma planta de fácil cultivo, baixo custo de produção e que se adapta muito bem a realidade do semiárido, além de ser rica em proteínas, ferro, cálcio e vitaminas A e C”, explica Lívia.

Os jovens colocaram em prática todas as etapas de uma pesquisa científica, inclusive com observações em quatro fazendas da região. Nestas visitas, Lívia e Pedro descobriram que duas fazendas já utilizavam a moringa como parte da alimentação bovina, enquanto as outras duas adotavam alternativas tradicionais, como capim, palma e cana-de-açúcar.

“Constatamos que algumas fazendas locais utilizavam a moringa como suplementação alimentar para o gado, o que despertou nosso interesse em investigar essa prática. Nossa proposta busca utilizar uma matéria-prima acessível aos produtores rurais, o que pode reduzir custos e incentivar soluções mais sustentáveis na alimentação animal”, ressalta a estudante.

A alegria compartilhada pela dupla é endossada pela professora Poliana Cardoso. Ela faz questão de enfatizar a importância de inserir seus alunos na educação científica e empreendedora como forma de desenvolver o pensamento crítico, a criatividade e a capacidade de resolver problemas reais da sociedade.

“Principalmente em um território complexo como o nosso, o Território do Velho Chico, que precisa encontrar estratégias eficazes de convivência com a seca. Quando associada ao empreendedorismo, essa formação também estimula os estudantes a transformarem conhecimento em soluções inovadoras que podem beneficiar a comunidade”, afirma.

Destaque no Encontro Estudantil da Secretaria da Educação, o projeto já tem os próximos passos definidos. Além de buscar parcerias para o desenvolvimento do produto, a equipe planeja aprofundar as análises nutricionais, realizar testes mais detalhados na alimentação bovina e aprimorar a formulação do suplemento.

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