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ESPECIAL! Jovem de Igaporã supera grave síndrome e retoma treinos no futebol paranaense


Aos 16 anos, o estudante e atleta Lucas “Bahia” Barros vive hoje uma rotina que, há poucos meses, parecia impossível: voltou a treinar futebol após enfrentar a síndrome de Guillain-Barré, uma doença neurológica rara que pode causar fraqueza muscular e até paralisia. A recuperação do jovem tem emocionado familiares, amigos e toda a comunidade esportiva.




Tudo começou de forma inesperada, quando Lucas passou a sentir formigamentos e perda de força nas pernas. Em poucos dias, já não conseguia caminhar. Após o diagnóstico, ele foi internado e iniciou um tratamento intensivo, marcado por momentos de incerteza e superação. “Foi muito difícil. Teve momentos em que parecia que não voltaria a jogar, mas sempre mantive a confiança ”, relembra o jovem.




O tratamento e a recuperação


Durante semanas, a fisioterapia se tornou parte essencial da sua rotina. Com disciplina e apoio da família, ele foi recuperando os movimentos aos poucos. Segundo a equipe médica, o caso exigiu dedicação contínua, mas a evolução foi considerada positiva e quase um "milagre", pois as avaliações iniciais apontaram para a impossibilidade de retorno ao futebol. “Ele sempre foi muito determinado, isso fez toda a diferença”, destacou o empresário Nenê Barbosa, que acompanha o atleta.




O pai de Lucas, José Francisco Barros, relatou as horas difíceis no período de internação. Ressaltou que o Cascavel cobriu todos as despesas do tratamento. A família recorreu a amigos para custear as viagens e acompanhamento de Lucas durante a recuperação. Após a alta hospitalar, ele foi acolhido por uma profissional do clube em sua própria residência, pois os pais já não tinham mais recursos para permanecer na cidade paranaense.


Apaixonado por futebol desde a infância, Lucas Bahia encontrou no esporte uma motivação para seguir firme na recuperação. O retorno aos treinos, ainda que de forma gradual, foi celebrado como uma grande vitória. “Voltar ao campo foi uma emoção indescritível. É como se eu estivesse começando de novo”, afirmou.

Nenê Barbosa ressaltou o exemplo de superação demonstrado pelo atleta. “Ele mostrou uma força incrível. Hoje, mais do que um atleta, ele é uma inspiração para todos nós”, disse.

José Francisco fala com emoção do primeiro encontro com Nenê, em Belo Horizonte, quando Lucas foi dispensado do Atlético, após cumprir um período de testes. Nenê ofereceu apoio à família para que o jovem não retornasse a Igaporã, pois poderia marcar o fim do sonho de atuar como jogador profissional.




Em conversa telefônica com a reportagem da Web Rádio Igaporã, Nenê disse que a qualidade técnica de Lucas durante os testes chamou sua atenção. O jovem demonstrava, ainda, muito foco e força de vontade e, segundo ele, essas são características de todo grande atleta.

Nenê Cardoso (Antônio Carlos Cardoso) atuou por equipes como a Ferroviária, Cruzeiro e Palmeiras, se aposentando do futebol no final da década de 1980. Atua como descobridor de talentos para o futebol. 

Nenê Cardoso

Peneiras, reprovações e persistências


Lucas iniciou sua trajetória no futebol ainda na infância, em uma “escolinha” mantida pela Prefeitura de Igaporã. Entre os 11 e 12 anos, participou de duas “peneiras” em Bom Jesus da Lapa, realizadas pelos times do Palmeiras e do Vila Nova. No mesmo período, participou de uma terceira na cidade de Matina, patrocinada pelo América de Minas Gerais. O pai relata a dificuldade em conseguir doações para pagar as despesas das viagens.

José Francisco reclama da falta de apoio do comércio e do poder público. “Precisamos de pessoas que tenham sensibilidade para apoiarem esses atletas, filhos da terra. Passamos por momentos muitos difíceis. Quase desistimos, mas encontramos amigos e familiares que se solidarizaram e nos auxiliaram” desabafou.

Em Belo Horizonte, Lucas treinou durante um mês pelo Atlético Mineiro, quando foi dispensado. Em seguida, com o apoio de Nenê Barbosa, foi para São Paulo onde passou por testes no Ituano, São Paulo, Corinthians e Palmeiras. Sempre persistente, fez testes no Atlético Paranaense e, finalmente, no Cascavel, a partir de 2023, onde se encontra até hoje nas categorias de base.

A história de Lucas reforça a importância da perseverança diante das adversidades e mostra que, com apoio e determinação, é possível superar grandes desafios. Para ele, o futuro agora é de esperança: “Quero continuar treinando, evoluir e, quem sabe, realizar meu sonho de seguir carreira no futebol”.

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